Você já perdeu uma venda porque o cliente contestou a compra no banco? Pior: já teve que devolver o dinheiro, perder o produto e ainda pagar uma taxa por isso? Se a resposta é sim, você conhece na prática o pesadelo do chargeback — um dos maiores vilões da rentabilidade no e-commerce brasileiro.
Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o Brasil registrou mais de 2,5 milhões de contestações de pagamento em 2023, com perdas que ultrapassam R$ 2 bilhões ao ano para o varejo online. Para muitos lojistas, especialmente os que estão começando, as contestações representam um risco real de inviabilizar o negócio.
Neste guia completo, você vai entender o que é chargeback, como ele funciona na prática, qual o impacto no seu caixa, as diferenças fundamentais entre estorno e chargeback, e, mais importante, como evitar chargeback, quais estratégias realmente funcionam para reduzir contestações e quando ainda é possível reverter perdas. Seja você um empreendedor iniciante ou gestor de um e-commerce consolidado, este conteúdo vai ajudá-lo a proteger sua receita e tomar decisões mais assertivas.
Como funciona o chargeback?
Chargeback é o processo pelo qual um titular de cartão de crédito ou débito contesta uma transação diretamente junto ao banco emissor ou à operadora do cartão. Na prática, é quando o cliente não reconhece uma cobrança e pede o dinheiro de volta, não à loja, mas à instituição financeira.
O mecanismo foi criado originalmente para proteger consumidores contra fraudes e cobranças indevidas. No entanto, tornou-se também uma porta de entrada para abusos e fraudes cometidas pelos próprios compradores, fenômeno conhecido como “fraude amigável” ou friendly fraud.
O ciclo do chargeback: passo a passo
Entender o fluxo completo ajuda a identificar onde sua empresa pode agir para prevenir ou contestar uma perda:
- Compra realizada: O cliente finaliza a compra no seu e-commerce usando cartão de crédito ou débito.
- Contestação: Dias, semanas ou até meses depois, o titular do cartão entra em contato com o banco alegando não reconhecer a transação, ter recebido produto diferente do anunciado, não ter recebido o produto ou ter sido vítima de fraude.
- Bloqueio do valor: O banco emissor imediatamente retira o valor da sua conta (ou do seu adquirente) e devolve ao consumidor, iniciando uma investigação.
- Notificação ao lojista: Você recebe a notificação de chargeback, geralmente com prazo curto (entre 7 e 21 dias) para apresentar defesa.
- Análise de documentação: Você precisa reunir comprovantes como nota fiscal, comprovante de entrega, telas de rastreamento, conversas com o cliente e prints de políticas de troca/devolução, para contestar a alegação.
- Decisão da operadora: A bandeira do cartão (Visa, Mastercard, Elo, etc.) analisa as evidências e decide a favor do lojista ou do consumidor. Esse processo pode levar de 30 a 90 dias.
- Resultado: Se você vencer, o valor retorna. Se perder, o prejuízo é definitivo e ainda há cobrança de taxa operacional.
Tipos de chargeback
Nem todo chargeback é igual. Conhecer os tipos mais comuns ajuda a criar barreiras específicas para cada cenário:
Fraude real (ou fraude de terceiros): Ocorre quando um fraudador rouba dados de cartão e realiza compras em nome de outra pessoa. O titular legítimo não reconhece a compra e contesta. Esse é o tipo mais prejudicial, pois você perde a venda, o produto e ainda arca com taxas.
Fraude amigável: O próprio titular fez a compra, mas contesta alegando não reconhecer a transação, seja por arrependimento, má-fé ou até esquecimento genuíno. Esse fenômeno tem crescido no Brasil, especialmente em categorias como eletrônicos, moda e infoprodutos.
Erro de processamento: Falhas técnicas, como cobranças duplicadas, valores incorretos ou problemas no gateway de pagamento, que geram contestação legítima do cliente.
Insatisfação com produto/serviço: O cliente recebeu algo diferente do prometido, com defeito, ou não recebeu. Em vez de acionar a loja, vai direto ao banco.
Chargeback técnico/administrativo: Relacionado a erros como vencimento de autorização, falha na captura da transação ou problemas com a adquirente.
Segundo Betina Wecker, cofundadora e VP de Novos Negócios da Appmax, a grande armadilha do chargeback está na dificuldade de separar o que é fraude real do que é comportamento oportunista. “Muitos lojistas perdem vendas legítimas por medo, enquanto outros liberam fraudes por não ter ferramentas adequadas de análise. O equilíbrio está em dados e inteligência”, afirma a especialista.
Impacto do chargeback no seu negócio
As perdas com chargeback vão muito além do valor da venda cancelada. Trata-se de um efeito cascata que compromete múltiplas frentes do negócio:
Prejuízo financeiro direto
Quando um chargeback é efetivado contra sua loja, você perde:
- O valor total da venda: O dinheiro que já havia entrado no seu caixa é estornado.
- O produto ou serviço: Se você já enviou a mercadoria, ela dificilmente retorna, especialmente em casos de fraude.
- Taxa de chargeback: As operadoras de cartão cobram entre R$ 20 e R$ 100 por cada contestação, independentemente do resultado.
- Custos de frete e logística: Todo investimento para processar e entregar o pedido vira prejuízo.
Segundo relatório da LexisNexis Risk Solutions (2024), cada R$ 1 perdido em fraude custa, em média, R$ 3,59 às empresas brasileiras quando somados todos esses elementos já citados.
Aumento de taxas e penalidades
Adquirentes e bandeiras monitoram continuamente a taxa de chargeback de cada lojista. Se você ultrapassar o limite aceitável (geralmente 1% do volume transacionado), está sujeito a:
- Aumento nas taxas de processamento de transações
- Inclusão em programas de monitoramento (como o Visa Fraud Monitoring Program)
- Multas mensais que podem chegar a milhares de reais
- Bloqueio de recebíveis por períodos prolongados
- Em casos extremos, descredenciamento, ou seja, perda do direito de aceitar cartões
Danos à reputação e operação
Alto índice de chargeback sinaliza para o mercado que sua operação tem problemas de segurança, qualidade ou atendimento. Isso pode resultar em:
- Dificuldade para fechar parcerias com novas adquirentes ou gateways de pagamento
- Restrições no relacionamento com fornecedores e parceiros logísticos
- Perda de confiança de investidores e stakeholders
- Necessidade de bloqueio preventivo de mais vendas (o que reduz conversão e receita)
Impacto operacional
Cada chargeback demanda tempo significativo da equipe para:
- Reunir documentação e evidências
- Redigir contestações detalhadas
- Acompanhar processos junto às operadoras
- Revisar processos internos e identificar vulnerabilidades
Para e-commerces de pequeno e médio porte, isso pode consumir dezenas de horas mensais que poderiam estar focadas em crescimento.
Evelyn Torezone, Diretora de IA, Dados e Risco na Appmax, reforça: “O chargeback não é só uma métrica financeira, mas sim um termômetro da saúde operacional do negócio. Quando a taxa dispara, geralmente há problemas sistêmicos: desde a jornada de compra confusa até falhas na análise de risco. Resolver isso exige dados, tecnologia e estratégia integrada”.
Qual é a diferença entre estorno e chargeback?
Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, estorno e chargeback são processos diferentes, com dinâmicas, prazos e impactos distintos para o lojista.
O que é estorno
O estorno é uma devolução voluntária iniciada pela própria loja após solicitação do cliente. Nesse cenário:
- O cliente entra em contato direto com a empresa (via SAC, e-mail, chat)
- A loja avalia a solicitação conforme suas políticas de troca e devolução
- Se aprovado, o lojista cancela a transação e devolve o valor
- O processo é mediado internamente, sem envolvimento da operadora de cartão
- Não há cobrança de taxa adicional de chargeback
- A loja mantém controle sobre o processo e pode negociar alternativas (troca, crédito, desconto, etc.)
Exemplo prático: um cliente compra um tênis que chegou no tamanho errado. Ele entra em contato com a loja, que confirma o erro, autoriza a devolução e processa o estorno. A transação é encerrada amigavelmente.
O que é chargeback
O chargeback, por outro lado, é uma contestação formal feita pelo titular do cartão diretamente ao banco emissor, sem passar pela loja. Aqui:
- O cliente ignora os canais de atendimento da loja e vai direto à instituição financeira
- O banco reverte o pagamento imediatamente, sem ouvir o lojista
- A loja só é notificada depois que o dinheiro já foi bloqueado
- Há cobrança de taxa operacional (entre R$ 20 e R$ 100)
- O lojista precisa reunir provas robustas para contestar
- O processo pode levar meses e não há garantia de reversão
- Cada chargeback impacta negativamente as métricas de risco da loja
Exemplo prático: o mesmo cliente compra o tênis, não gosta, e em vez de acionar a loja, liga para o banco dizendo que não reconhece a compra. O banco estorna o valor, o cliente fica com o produto e o dinheiro, e a loja tem prejuízo total.
Por que clientes escolhem o chargeback?
Vários fatores levam consumidores a contestar diretamente com o banco:
- Desconhecimento dos canais de atendimento da loja
- Falta de resposta rápida do SAC
- Má-fé (tentativa de ficar com produto e dinheiro)
- Acreditar que o processo bancário é mais rápido e garantido
- Arrependimento da compra e busca por saída mais fácil
- Indicação de amigos ou fóruns online sobre “como pedir chargeback”
Por isso, oferecer canais claros de atendimento, políticas de devolução transparentes e resposta ágil é uma das melhores formas de evitar que contestações legítimas se transformem em chargebacks prejudiciais.
Como escolher um antifraude
Selecionar a solução antifraude correta pode ser a diferença entre crescer com segurança ou acumular prejuízos recorrentes. Mas com tantas opções no mercado, como saber qual é a ideal para o seu negócio?
Critérios essenciais para avaliação
- Taxa de aprovação
Não adianta ter uma solução que barra todas as fraudes se ela também rejeita vendas legítimas. Procure antifraudes que mantenham aprovação acima de 95% sem comprometer a segurança. Tecnologias que usam inteligência artificial e machine learning conseguem esse equilíbrio.
- Velocidade de análise
No e-commerce, velocidade é conversão. Soluções que demoram demais para aprovar ou negar uma transação aumentam a taxa de abandono de carrinho. Busque análise em tempo real.
- Recuperação de chargeback
Além de evitar perdas, é importante contar com uma solução capaz de recuperar vendas contestadas quando o cliente recebeu o produto. Ferramentas avançadas utilizam inteligência artificial para identificar automaticamente esses casos, confirmar o recebimento com o comprador e gerar um link de pagamento seguro dentro do próprio WhatsApp.
Soluções como a recuperação de chargeback da Appmax, por exemplo, mostram que nem toda contestação precisa ser tratada como prejuízo definitivo. Quando bem aplicada, essa abordagem transforma chargebacks indevidos em receita recuperada, reduzindo dependência de processos manuais ou disputas longas com bancos e operadoras.
- Inteligência de dados e aprendizado contínuo
Fraudes evoluem constantemente. Seu antifraude precisa aprender com cada transação e adaptar modelos de risco automaticamente. Tecnologias que usam redes neurais e análise comportamental têm desempenho superior.
- Análise multidimensional
Boas soluções avaliam dezenas de variáveis simultaneamente:
- Dados cadastrais (CPF, endereço, telefone)
- Comportamento de navegação no site
- Geolocalização e horário da compra
- Histórico do comprador (se já comprou antes)
- Padrões de fraude conhecidos
- Velocidade de digitação e movimentação do mouse
- Device fingerprinting (identificação do dispositivo)
- Integração e facilidade de implementação
Avalie se a solução se integra facilmente com sua plataforma de e-commerce (Shopify, VTEX, WooCommerce, Magento, etc.) e gateways de pagamento. Implementações complexas atrasam o go-live e geram custos extras.
- Transparência e esclarecimento
Você precisa entender por que uma venda foi aprovada ou negada. Soluções “caixa-preta” dificultam ajustes e melhorias. Prefira plataformas que forneçam score detalhado e justificativas claras.
- Suporte e atendimento especializado
Fraude não tira férias nem fim de semana. Certifique-se de que há suporte ágil e consultoria estratégica disponível para ajustar regras, analisar surtos de fraude e otimizar performance.
- Custo-benefício real
Compare não apenas o preço da ferramenta, mas o custo total de operação:
- Quantos chargebacks você evitará?
- Quantas vendas legítimas serão aprovadas?
- Quanto tempo sua equipe economizará na análise manual?
- Há taxa por transação ou é modelo de assinatura?
- Cases de sucesso no seu segmento
Ferramentas que já atendem negócios similares ao seu (mesmo ticket médio, categoria de produtos, perfil de cliente) tendem a ter modelos mais precisos e adaptados à sua realidade.
Pontos de atenção e o que evitar
- Soluções que prometem “100% de bloqueio de fraude” (vão barrar muitas vendas boas)
- Antifraudes que exigem análise manual de todas as transações (não escala)
- Ferramentas sem atualização frequente de base de dados de fraude
- Ausência de testes A/B e período de homologação
- Contratos longos sem flexibilidade de cancelamento
O papel da Appmax na prevenção inteligente
A Appmax se destaca no mercado por combinar inteligência artificial de última geração com cobertura de chargeback e análise em tempo real. A solução foi desenvolvida especificamente para o e-commerce brasileiro, considerando comportamentos locais de consumo e fraude.
Com taxa de 99% de aprovação para 80% dos clientes e 0% chargeback para 82% dos sites que usam a Appmax, a plataforma oferece equilíbrio entre segurança e conversão. Além disso, possui solução de IA para recuperação de vendas contadas, que automatiza esse processo.
De quem é a responsabilidade do chargeback?
A responsabilidade pelo chargeback, tanto a obrigação de prevenir quanto o ônus financeiro, varia conforme o tipo de transação, o momento da contestação e os acordos entre os agentes envolvidos. Vamos esclarecer cada cenário:
Transações presenciais com chip (EMV)
Quando a compra é realizada presencialmente com leitura de chip e o cliente digita a senha, a responsabilidade em caso de chargeback geralmente recai sobre o banco emissor do cartão. Isso porque a tecnologia EMV é considerada segura e dificulta fraudes.
No entanto, se o lojista não seguiu os protocolos de segurança (não pediu documento, aceitou cartão sem chip quando deveria ter chip, etc.), a responsabilidade pode ser transferida para o estabelecimento.
Transações presenciais por aproximação ou tarja magnética
Compras por NFC (aproximação) ou com tarja magnética sem senha são consideradas de maior risco. Nesses casos, se houver chargeback por fraude, a responsabilidade geralmente é do lojista, pois não houve validação forte de identidade.
Transações online (e-commerce)
No ambiente online, a responsabilidade pelo chargeback recai majoritariamente sobre o lojista. Isso acontece porque:
- Não há contato físico com o cartão
- A validação de identidade é mais frágil
- Risco de fraude é estatisticamente maior
- O lojista tem ferramentas e condições de implementar camadas extras de segurança (antifraude, 3DS, validações adicionais)
Por isso, todo e-commerce precisa ter estratégias robustas de prevenção, ou arcará sozinho com os prejuízos.
O papel da adquirente e da bandeira
No processo de pagamentos com cartão no e-commerce, adquirentes (empresas que processam as transações e conectam lojistas, bandeiras e bancos emissores) e bandeiras (como Visa, Mastercard e Elo) atuam como intermediárias essenciais. Porém, ambas raramente assumem prejuízos em casos de contestação. Entenda como funciona:
- A adquirente processa a transação e repassa o chargeback ao lojista
- A bandeira arbitra disputas entre lojista e banco emissor
- Ambas cobram taxas operacionais do processo
- Em situações raríssimas de falha técnica comprovada, podem assumir responsabilidade
Estorno em marketplaces
Quando a venda ocorre em marketplace (Amazon, Americanas, Shopee), a responsabilidade depende do modelo:
- Marketplace como intermediário: O seller (vendedor) geralmente assume o chargeback
- Marketplace como vendedor: A plataforma arca com o prejuízo.
Cada marketplace tem política própria, com regras sobre quem paga o quê.
Responsabilidade jurídica e criminal
Do ponto de vista legal, fraudar transações com cartão é crime previsto no Código Penal (artigo 171, estelionato). Porém, provar autoria e mover ações é complexo e custoso. Por isso, a maioria dos lojistas foca em prevenção em vez de judicialização.
Vale lembrar: o chargeback em si não é crime. É um direito do consumidor contestar cobranças. O que pode configurar crime é a fraude intencional — seja do comprador (fraude amigável deliberada) ou de terceiros (roubo de dados e uso indevido).
Quem fica com o prejuízo do chargeback?
Na esmagadora maioria dos casos envolvendo e-commerce, o prejuízo do chargeback fica integralmente com o lojista. Vamos detalhar o que isso significa na prática:
Estrutura da perda financeira
Quando um chargeback é confirmado contra sua loja, você perde:
- Valor total da venda: o montante que o cliente pagou é retirado da sua conta (ou retido dos próximos recebíveis)
- Produto ou serviço entregue: se você já enviou a mercadoria, dificilmente conseguirá recuperá-la, especialmente em fraudes, onde o fraudador não tem intenção de devolver
- Custos de frete e logística: todo investimento em separação, embalagem, envio e rastreamento vira prejuízo puro
- Taxa de chargeback: operadoras cobram entre R$ 20 e R$ 100 por contestação, independente do resultado da disputa
- Custos administrativos: horas de trabalho da equipe para reunir documentação, montar defesa e acompanhar o processo
- Custo de oportunidade: o tempo e recurso investidos na transação fraudada poderiam ter sido direcionados a vendas legítimas
Exemplo real de impacto
Imagine uma venda de R$ 500 em um tênis:
- Valor da venda: R$ 500
- Custo do produto: R$ 200
- Frete: R$ 30
- Taxa da adquirente (4%): R$ 20
- Taxa de chargeback: R$ 80
- Prejuízo total: R$ 830
Ou seja, além de perder a venda, o produto e o frete, você ainda paga R$ 330 a mais. Para compensar esse prejuízo, seria necessário vender quase dois produtos adicionais com a mesma margem.
Quando o prejuízo NÃO fica com o lojista
Existem apenas três cenários onde o lojista pode evitar o prejuízo total:
- Seguro contra fraude: Algumas seguradoras oferecem apólices específicas para e-commerce, mas costumam ter franquias altas e processo burocrático de acionamento.
- Vitória na contestação: Se você reunir evidências robustas (comprovante de entrega com assinatura, comunicação clara com o cliente, prova de uso do produto/serviço), pode reverter o chargeback. Porém, a taxa de reversão no Brasil é baixa (cerca de 15-25%), pois bancos tendem a favorecer consumidores.
- Solução antifraude com recuperação de chargeback: Algumas plataformas, como a Appmax, vão além da prevenção e atuam também na recuperação de vendas contestadas. Quando um chargeback ocorre e o cliente recebeu o produto, a tecnologia identifica automaticamente esses casos, entra em contato com o comprador via WhatsApp e gera um link de pagamento seguro para regularizar a compra. Essa abordagem não transfere apenas o risco, mas converte prejuízo em receita recuperada, reduzindo o impacto financeiro de contestações indevidas.
Por que o lojista arca com o prejuízo?
O modelo atual coloca o peso da responsabilidade no lojista porque:
- É quem tem mais condições de implementar controles de segurança (antifraude, validações, confirmação de entrega)
- Recebe diretamente o benefício da venda (receita e margem)
- Pode precificar o risco de fraude em sua operação
- Tem acesso aos dados da transação e do cliente
Apesar de parecer injusto, esse modelo empurra o mercado a investir em tecnologia e processos cada vez mais seguros que, a longo prazo, reduz fraudes para todos.
O custo escondido: impacto em taxas futuras
Além do prejuízo imediato, cada chargeback aumenta sua taxa de contestação. Se você ultrapassar 1% do volume transacionado, as adquirentes podem:
- Aumentar suas taxas de transação em 0,5% a 2%
- Reter parte dos recebíveis como garantia
- Incluir sua loja em programas de monitoramento (com custos mensais extras)
Esses custos indiretos podem representar dezenas de milhares de reais por ano, dependendo do volume de vendas.
Tem como reverter um chargeback?
Sim, é possível reverter um chargeback, mas a taxa de sucesso no Brasil é relativamente baixa e o processo exige estratégia, documentação robusta e agilidade. Vamos explorar como funciona a contestação e o que aumenta suas chances de vitória.
Quando vale a pena contestar
Nem todo chargeback deve ser contestado. Avalie se:
- Você tem provas sólidas de que a venda foi legítima
- O valor da transação justifica o esforço (contestações consomem tempo)
- O prazo para defesa ainda está aberto (geralmente 7 a 21 dias)
- A motivação do chargeback é contestável (por exemplo: “produto não recebido” quando você tem comprovante de entrega assinado)
Documentação essencial para reversão
Quanto mais evidências você apresentar, maior a probabilidade de reverter. Reúna:
Comprovantes de entrega:
- Nota fiscal eletrônica
- Tracking completo do envio
- Comprovante de entrega assinado (fundamental)
- Foto do produto entregue (se disponível)
Comunicação com o cliente:
- Prints de conversas por e-mail, WhatsApp ou chat
- Confirmações de recebimento e satisfação
- Histórico de interações no SAC
Dados da transação:
- Comprovante de pagamento aprovado
- IP e geolocalização da compra
- Device fingerprint (identificação do dispositivo)
- Logs de navegação no site
Políticas e termos:
- Política de troca e devolução aceita pelo cliente no checkout
- Termos de uso do site
- Prints da página de produto mostrando descrição clara
Prova de uso ou consumo:
- Se for serviço digital: logs de acesso, downloads realizados, uso efetivo
- Se for produto físico: evidências de desembalagem ou uso (redes sociais do cliente, por exemplo)
Histórico positivo:
- Se o cliente já comprou antes sem problemas
- Se o mesmo cartão/CPF tem histórico limpo
Passo a passo da contestação
- Receba a notificação de chargeback: geralmente via e-mail do gateway ou adquirente, com o motivo da contestação e prazo para resposta.
- Analise o caso rapidamente: identifique se é fraude real, fraude amigável, insatisfação ou erro técnico.
- Reúna toda documentação: organize arquivos de forma clara e objetiva.
- Redija a defesa: seja direto e factual. Explique o caso, apresente as evidências e demonstre que a transação foi legítima. Use linguagem formal e técnica.
- Envie dentro do prazo: atrasos resultam em perda automática.
- Acompanhe o processo: as operadoras podem solicitar informações adicionais. Responda prontamente.
- Aguarde decisão: o prazo varia de 30 a 90 dias.
Chargeback é crime?
Essa é uma dúvida comum entre lojistas prejudicados. A resposta é: depende.
- Chargeback legítimo não é crime: se o cliente realmente foi vítima de fraude ou não recebeu o produto/serviço, contestar é um direito previsto em lei.
- Fraude amigável pode ser crime: se o cliente deliberadamente mente ao banco (dizendo que não reconhece uma compra que ele mesmo fez, com intenção de ficar com produto e dinheiro), isso configura estelionato e é crime previsto no artigo 171 do Código Penal, com pena de 1 a 5 anos de prisão.
Na prática, provar dolo (intenção criminosa) é difícil e custoso. Poucos lojistas entram com processos criminais por chargebacks individuais. A estratégia mais eficiente é prevenir, não judicializar.
Dicas para aumentar taxa de reversão
- Responda sempre, mesmo que suas chances pareçam baixas. Cada contestação é um aprendizado.
- Seja objetivo e organize documentos em ordem lógica.
- Destaque inconsistências na alegação do cliente (por exemplo: ele diz que não recebeu, mas assinou o comprovante de entrega).
- Se possível, entre em contato com o cliente paralelamente e tente resolver amigavelmente (ele pode cancelar a contestação).
- Demonstre que seguiu todas as boas práticas de segurança e transparência.
Mesmo com todos os cuidados, a taxa de reversão no Brasil fica entre 15% e 25%, segundo dados do setor. Por isso, a melhor estratégia sempre será a prevenção.
Estratégias avançadas de prevenção de chargeback
Reduzir drasticamente os chargebacks exige uma abordagem integrada que combina tecnologia, processos e cultura de segurança. Veja as estratégias mais eficazes organizadas por categoria:
Tecnologia e automação
- Implementar antifraude com IA e machine learning
Soluções modernas analisam centenas de variáveis em milissegundos e aprendem continuamente com cada transação. A Appmax, por exemplo, utiliza modelos de IA treinados com milhões de transações do e-commerce brasileiro, identificando padrões sutis que análises manuais dificilmente detectariam.
- Ativar autenticação 3D Secure (3DS)
O protocolo 3DS adiciona uma camada extra de validação, transferindo parte da responsabilidade do chargeback para o banco emissor. Embora possa reduzir ligeiramente a conversão (devido ao passo adicional), é altamente eficaz em transações de alto valor.
- Utilizar ferramentas de análise de comportamento
Tecnologias que avaliam como o usuário navega no site (velocidade de clique, movimentação do mouse, tempo nas páginas) conseguem identificar bots e fraudadores antes mesmo da finalização da compra.
Processos operacionais
- Otimizar descrição do pagamento
O nome que aparece na fatura do cartão deve ser claro e reconhecível. Muitos chargebacks acontecem porque o cliente não reconhece a cobrança. Use o nome da sua marca principal e, se possível, inclua o site.
- Confirmar dados cadastrais ativamente
Valide CPF, endereço e telefone em tempo real. Envie SMS ou WhatsApp de confirmação para o número cadastrado. Se houver divergências entre endereço de entrega e dados do titular do cartão, ative validações extras.
- Exigir comprovante de entrega com assinatura
Para produtos de alto valor (acima de R$ 500), exija assinatura no recebimento. É a evidência mais forte em contestações. Se possível, tire foto do produto sendo entregue.
- Monitorar padrões suspeitos
Fique atento a sinais de alerta:
- Múltiplas tentativas de compra com cartões diferentes
- Pedidos de alto valor em primeira compra
- Endereços de entrega em regiões com alta incidência de fraude
- E-mails temporários ou descartáveis
- Dados cadastrais inconsistentes (nome não bate com CPF, por exemplo)
- Compras às 2h da manhã de produtos caros com entrega expressa
- Cliente solicita mudança de endereço logo após compra aprovada
Comunicação e relacionamento
- Manter comunicação proativa com o cliente
Envie e-mails de confirmação detalhados, atualizações de rastreamento e notificações de entrega. Quanto mais o cliente for informado, menor a chance de ele esquecer a compra e contestá-la.
- Criar política de troca e devolução clara
Facilite o estorno voluntário. Se o cliente tiver um canal fácil para devolver produtos e receber reembolso, ele não precisará acionar o banco. Isso transforma potenciais chargebacks em estornos controlados.
- Investir em atendimento ágil e acessível
Disponibilize múltiplos canais de contato (chat, WhatsApp, e-mail, telefone) com tempo de resposta rápido. Muitos chargebacks acontecem porque o cliente tentou resolver com a loja e não obteve retorno.
- Analisar e aprender com cada caso
Mantenha registro detalhado de todos os chargebacks:
- Motivo alegado
- Categoria de produto
- Perfil do cliente
- Resultado da contestação
Identifique padrões recorrentes e ajuste processos. Se determinada região tem alta taxa de fraude, implemente validações extras. Se certo produto gera insatisfação, revise descrições e imagens.
- Treinar equipe constantemente
Todos que lidam com pagamentos e pedidos precisam entender o impacto do chargeback e os protocolos de segurança. Capacitar o time para reconhecer sinais de fraude, seguir procedimentos de verificação e agir rapidamente em casos suspeitos reduz significativamente o risco de prejuízos.
Como a Appmax chegou em 0% de chargeback para 82% dos clientes
A Appmax se consolidou como referência em análise de fraude e prevenção de chargeback no e-commerce brasileiro por combinar três pilares fundamentais:
Inteligência Artificial de ponta
A plataforma utiliza LLMs (Large Language Models) treinadas com mais de R$ 12 bilhões transacionados no mercado brasileiro. Isso significa que o sistema:
- Reconhece padrões sutis de comportamento fraudulento específicos do Brasil;
- Aprende continuamente com cada nova transação (quanto mais usa, mais preciso fica);
- Adapta-se automaticamente a novos tipos de golpe sem necessidade de programação manual;
- Analisa mais de centenas de variáveis simultaneamente em segundos.
Alta taxa de aprovação de pagamentos
O grande diferencial da Appmax está no equilíbrio entre segurança e conversão. Enquanto muitos antifraudes barram vendas legítimas por excesso de cautela, a tecnologia da Appmax:
- Aprova vendas legítimas e reprova apenas o que é realmente fraude;
- Diminui o número de falsos positivos de fraude;
- Entrega 99% de aprovação para 80% dos clientes;
- Aumenta a receita do cliente ao aprovar vendas boas que antes eram negadas.
Suporte especializado em risco
A equipe da Appmax trabalha lado a lado com cada cliente para:
- Ajustar regras conforme o perfil do negócio;
- Analisar surtos de fraude e agir rapidamente;
- Otimizar continuamente a performance;
- Fornecer consultoria estratégica sobre prevenção.
Recuperação de chargeback
Diferente de soluções que apenas analisam risco, a Appmax atua na recuperação de vendas contestadas, reduzindo significativamente o impacto financeiro do chargeback. Quando o cliente abre uma contestação, mas recebeu o produto, a tecnologia identifica automaticamente o caso e inicia um fluxo inteligente de regularização. Na prática:
- A IA confirma com o comprador, via WhatsApp, o recebimento da mercadoria
- É gerado um novo link de pagamento seguro para que o cliente conclua a compra
- O processo é totalmente automatizado, sem esforço manual do lojista
- Parte das vendas contestadas é recuperada, reduzindo perdas e protegendo a margem
Segundo Betina Wecker, “nossa missão é clara: diminuir prejuízos e recuperar receita que seria perdida. O chargeback não precisa ser o fim da venda. Com tecnologia, ele pode virar faturamento novamente.”
Conclusão
O chargeback representa um dos maiores desafios financeiros e operacionais para o e-commerce brasileiro, com perdas que ultrapassam R$ 2 bilhões ao ano. Mas como vimos ao longo deste guia, não é um problema sem solução.
Entender profundamente como funciona o processo de chargeback, diferenciar estorno de contestação bancária, conhecer os tipos de fraude mais comuns e implementar estratégias de prevenção são passos fundamentais para proteger sua receita e crescer com sustentabilidade.
A boa notícia é que a tecnologia evoluiu drasticamente. Hoje é possível combinar inteligência artificial de ponta, cobertura de risco e análise em tempo real para controlar chargebacks sem sacrificar conversão. Empresas que fazem esse investimento não só protegem o caixa mas também elas ganham vantagem competitiva ao poder crescer de forma mais agressiva e segura.
Se você quer controlar chargebacks, recuperar vendas e aumentar sua aprovação com segurança, fale com um especialista da Appmax.
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